Capela de S. Roque – A capela de S. Roque fica bem no centro de Vila do Conde, entre as ruas da Fraga e a rua do Lidador. A parede do lado do Evangelho tem uma inscrição que justifica a edificação desta morada de fé: «Feita pelos devotos desta Vila pela peste de 1580». De facto, e como afirma Marta Miranda no seu livro «Vila do Conde», a peste que deflagrou em Maio de 1580 ceifou a vida a cerca de 700 habitantes da nossa terra. Perante tamanha mortalidade os habitantes do burgo, aqueles que escaparam incólumes ao flagelo, decidiram erguer no coração da Vila uma capela ao santo protetor contra as epidemias – S. Roque. O culto a este santo foi sempre secundado pelo culto da Virgem Maria, sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar.

Atesta esta devoção mariana os painéis de azulejaria: «Esta obra de azulejos mandaram fazer os devotos de Nª Sª do Pilar no ano de 1746». A fachada é simples, com pórtico de arco volta perfeita e abertura encimada pela divisa dos jesuítas – JHS: “Jesus Huminum Salvator”. Possui pequena sineira. Ainda no exterior, na parede poente existe um calvário que representa as mulheres de Jerusalém. O interior é bem mais rico, revestido de obra de azulejaria, que Marta Miranda afirma revelar influências do sul: o azul é baço e o esmalte pouco transparente. A capela tem uma única nave e capela-mor revestida a talha dourada, separada do corpo da capela por arco triunfal, também revestido de talha. Segundo Joaquim Pacheco Neves a talha do retábulo mor, neoclássica, foi o resultado da substituição do primitivo retábulo, provavelmente, mais interessante. Preside, no trono a imagem de S. Roque.

A imagem de Nossa Senhora do Pilar encontra-se no Museu de Arte Sacra. De interesse é o púlpito que, Joaquim Pacheco Neves, no seu livro «Vila do Conde» relata terem “os membros do Senado da Câmara de Vila do Conde na sua reunião de 7 de Agosto de 1720, acordaram que se desse o púlpito velho da Igreja, de pedra, para a capela de S. Roque, por ser deste povo e na dita capela haverem muitas festas do povo.” No lugar onde hoje podemos ver o púlpito Joanino da Matriz estava este pequeno púlpito que agora podemos admirar em S. Roque e é obra de João de Castilho. Para esta capela removido porque esta era de administração do povo. A capela de S. Roque é, pois, um monumento à resistência e solidez do povo de Vila do Conde.

Dia da Festa: 16 de Agosto, dia de S. Roque; Abertura: a capela mantém-se aberta diariamente; para aceder ao interior procurar na vizinhança.