Igreja de Nossa Senhora da Lapa e S. Bartolomeu – Situada numa zona que hoje engloba a cidade de Vila do Conde, erguia-se, outrora, a ermida de S. Bartolomeu. Situada, numa zona agrícola da Vila, já muito perto do seu termo, na fronteira com a Paróquia de S. Pedro de Formariz (anexada, desde o século XIX, à nossa Paróquia de Vila do Conde). Da ermida de S. Bartolomeu já pouco ou nada resta. Eugénio da Cunha e Freitas, refere-nos que esta capela ficava no lugar de Cimo de Villa, mais propriamente no Campo das Giestas, e foi referida, pela primeira, vez no Tombo Novo do Mosteiro de Santa Clara, em 1634, embora seja possível que a edificação tenha ocorrido ainda no decurso do séc. XVI. Era sua administradora a Confraria de S. Bartolomeu e S. Lourenço, à qual o Papa Urbano VIII (séc. XVII), concedeu indulgência. Como se entende, então a devoção a Nossa Senhora da Lapa? Em 1738 a Confraria passa a denominar-se de “S. Bartolomeu e N. Sr.ª da Lapa”, uma vez que se verificou um incremento do culto a esta invocação da virgem, no decurso do séc. XVIII, relegando para segundo plano o culto do Apóstolo S. Bartolomeu e do Mártir Diácono S. Lourenço.

É sob esta invocação que nesse mesmo ano, a Confraria aceita a doação que o Mosteiro de Santa Clara lhe faz de umas “casas com seu quintal e poço, junto à capela, para vivenda do seu ermitão”. A 2 de Março de 1758, o Prior Francisco de Lima e Azevedo Camello Falcão, assinava, com os demais oficiais da Confraria, o contrato de empreitada de ampliação, que resultou na nova igreja, como hoje a conhecemos. Anotava o Prior que a igreja “se estava ampliando e reedificando de estrutura magnífica”. Terá sido Nasoni o arquiteto das obras da igreja Lapa de Vila do Conde, uma vez que a traça é característica das suas obras e que, neste momento, o arquiteto italiano residia no Porto, onde se estava a construir a famosa Torre dos Clérigos. No final do séc,. XVIII (1795), o Visitador Teotónio de Alpoim Lobato, reitor de Salvador de Mazedo, confirmava que “achei a capela de N. Sr.ª da Lapa optimamente ordenada”. A igreja apresenta fachada barroca, com duas torres sineiras, e frontão, encimada pela coroa real sobre medalhão oval (símbolo da virgem Maria), ladeada pelas imagens de S. Bartolomeu e S. Lourenço, anteriores patronos da ermida. O interior é predominantemente neoclássico. Possui uma única nave e capela-mor, revestida de azulejo. Os retábulos são de talha branca, neoclássica, com especial relevo para o retábulo da Sagrada Família (conjunto de imagens do séc. XVIII/XIX, articuladas), do lado do Evangelho. Também do lado do Evangelho fica o retábulo de S. Bartolomeu.

Do lado da Epístola fica o retábulo de S. Lourenço. Na capela mor o retábulo-mor possui sacrário e a imagem de N. S. da Lapa A Sr.ª D. Manuela Azevedo, que muito meritoriamente tem levado a cabo a árdua tarefa do inventário da igreja, descobriu que a Lâmpada do retábulo mor foi oferecida por Aurelio de Faria em 1818. Tem sacristia anexa, cujo retábulo (de talha dourada sobre fundo branco) e é tradição considerar-se que o retábulo era pertença da anterior edificação.

Classificação do Imóvel: em vias de classificação
Dias de Visita: em virtude das obras em decurso, não é possível visitar a igreja neste momento, mas é digna de uma visita posterior.
Culto: Domingos, às 11h.
Festas: N. Senhora da Lapa - 8 de Setembro; S. Lourenço – 10 de Agosto; S. Bartolomeu – 24 de Agosto; Reis – 5 de Janeiro (com cantar das janeiras/reis por três figuras que representam os magos do oriente).