O que é?

Fruto da ação de Deus e da decisão dos homens, os Cursilhos de Cristandade são um Movimento da Igreja, desde as origens fiel ao testemunho de uma comunhão firme e convicta em filial relação com o Papa e com o Bispo diocesano.
Nasceu em 1944, em Palma de Maiorca, Espanha e, graças aos frutos surpreendentemente conseguidos e entusiasticamente divulgados, cedo começou a ser exigida a sua realização, primeiro na América Latina, para logo depois se implantar “com carta de cidadania” na maioria das dioceses da Igreja de Cristo.

Qual a sua missão?

Os Cursilhos de Cristandade têm por objetivo, através dum método próprio, proporcionar a vivência e a convivência do fundamental cristão, numa ação intramundana, ou seja, através de pessoas pré-selecionadas pela sua influência humana nos ambientes da vida, divulgar, consciencializar e testemunhar pelo Evangelho, os valores e a presença de Jesus Cristo nas estruturas temporais.
As suas três fazes: Pré-Cursilho, Cursilho e Pós-Cursilho, subentendem uma disposição radiosa de evangelização de si para Deus e de si para o irmão que vive e trabalha a seu lado, na família, na profissão, na política, nos vários ambientes sociais.

Como nasceu?

A história do nascimento dos Cursilhos de Cristandade começa com o fim da Guerra Civil de Espanha, que durou de 1936 a 1939, deixando a economia do país completamente arruinada, e o povo a chorar os seus cerca de um milhão e duzentos mil mortos.
Como lhe competia, logo que a Guerra terminou, a Igreja reiniciou o esforço de pacificação e de recuperação social e, para isso, sabia que mobilizando a juventude o poderia fazer com mais entusiasmo e eficácia.
E a partir da Juventude da Ação Católica, foi pensada uma Peregrinação Nacional a Santiago de Compostela, idealizando-se uns cursos, com a duração de uma semana completa, como preparação para a fé consciente e entusiasta compatível com o espírito da peregrinação. Começava com um retiro espiritual apoiado nalguns passos dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola e, depois, para além da meditação matinal diária, o programa repartia-se por cinco lições sobre a Graça desenvolvidas por um sacerdote, por numerosos temas que incluíam o tripé da Piedade, Estudo e Acção, e outros referentes à Ação Católica e à organização da peregrinação. Exceptuando o retiro, o resto do programa envolvia-se naturalmente num ambiente de comunicação sobre os temas ouvidos, intercalados por cânticos coletivos não só piedosos como também folclóricos. 
Ao segundo curso convidaram a participar um jovem militar de 29 anos, Eduardo Bonnin, de Palma de Maiorca, educado num ambiente de fé católica, que sobressaía pelo seu bom humor, por andar sempre com um livro debaixo do braço e com grande capacidade de diálogo e cultura elevada. Bonnin logo se apercebeu que se estava perante um método extraordinário de espiritualidade, um elemento óptimo para a conversão da juventude de Palma de Maiorca.
O jovem Bonnin vivendo intensamente o curso, foi-se apercebendo de que, aperfeiçoando o programa, poderia ser esta uma resposta inovadora de evangelização.
E escreveu o “Estudo do Ambiente”, génese do Movimento dos Cursilhos de Cristandade, que expôs em 1943, no Seminário diocesano de Maiorca, durante a Festa da Imaculada Conceição (padronizada por uma imagem Peregrina ida do Santuário de Fátima). No tema, Bonnin considerava que, perante uma sociedade que concedia cada vez menos espaço aos critérios evangélicos, os pastores das almas já não podiam continuar a ocupar-se só daqueles que recorriam às estruturas pastorais da Igreja, mas que seria necessário dar início a uma transformação ambiental que atingisse tudo e todos.  
           

 

E aconteceu o 1º. Cursilho de Cristandade…

De 20 a 23 de Agosto de 1944, foi realizado o primeiro Cursilho de Cristandade, num “chalé” de Calla Figueira de Santanyi, em Maiorca. Constituiu um êxito estrondoso não só pelos frutos de autêntica e bem definida conversão pessoal, como de projeção evangélica nos ambientes de cada um dos participantes.
Logo após a Peregrinação a Santiago de Compostela, no verão de 1948, e apesar do êxito extraordinário dos Cursilhos de Cristandade já realizados, todo o programa veio a ter o apoio ainda mais decisivo do novo Bispo de Maiorca, D. Juan Hervás, um dos mais jovens do Episcopado Espanhol, um homem de Igreja, muito activo e dinâmico, profundamente culto e que se apercebeu desde logo que estava perante um Movimento com um programa perfeitamente inovador, uma forma verdadeiramente eficaz de apostolado que, urgente, o país e depois o mundo necessitavam. Consigo, o também jovem sacerdote, D. Juan Capó, acabado de regressar da Universidade Gregoriana de Roma, onde se licenciara em Teologia com as mais altas classificações, homem que reunia esse enorme saber teológico a uma importante cultura geral, e que conseguia expressar-se verbalmente com uma lucidez espantosa, afirmando com clareza as suas convicções, e que viria a ser o teólogo fundamental, nesta etapa decisiva dos Cursilhos de Cristandade.
Foi o autor do Guia do Peregrino, um pequeno manual de orações particulares e colectivas, ainda impresso em várias línguas e distribuído em todos os Cursilhos realizados no mundo.
E se até ali os Cursilhos de Cristandade iam ficando conhecidos pelo local da sua realização, de 7 a 10 de Janeiro de 1949, no Mosteiro de San Honorato, em Maiorca, foi realizado o que ficou inscrito como o Nº. 1 do Mundo, o primeiro a identificar-se pelo número. Nesse ano de 1949, foram realizados 20 Cursilhos.
Depois, foi uma expansão, primeiro dentro de Espanha e, a partir de 1953, pelo mundo inteiro.
Em Portugal, o primeiro Cursilho de Cristandade teve lugar em Fátima, com início no dia 30 de Novembro de 1960, com a autorização do então Senhor Cardeal Cerejeira. A Equipa Reitora era constituída por cursilhistas leigos espanhóis, sendo director espiritual do Cursilho D. Vitoriano Aritze, falecido em Vitória em 2009. No seu encerramento, o Bispo de Leiria afirmaria: “Obra que nasce em Fátima não morre…”.
            Desde então, foram chegando a todas as dioceses de Portugal.
Em Braga, o Movimento entrou pela acção do então Bispo Auxiliar de Diocese, D. Francisco Maria da Silva que, com mais nove Sacerdotes e 27 leigos, participou no 1º Cursilho de Braga realizado em Tuy, de 19 a 22 de Setembro de 1962. Comemorando-se o Cinquentenário em Setembro de 2012. Até à data, já se realizaram na diocese 380 cursilhos por onde passaram cerca de 11.900 participantes.
Como nos pediu o Beato João Paulo II, por ocasião d 3ª Ultreia Mundial em Roma, em resposta aos desafios do 3º Milénio: “Apoiando-vos nas vossas ricas experiências espirituais, que são um tesouro, aceitem os desafios que o nosso tempo coloca à nova evangelização e, sem medo, Dêem-lhe resposta”, é esta a resposta que queremos dar a um mundo cada vez mais carecido de amor. Queremos levar aos diferentes ambientes, onde labutamos, os valores do Evangelho de Jesus Cristo vivenciado em todas as circunstâncias, sempre fieis ao carisma fundacional, vivendo e convivendo o fundamental cristão: um amor incondicional a Cristo e o testemunho desse amor aos Irmãos.
Na paróquia de Vila do Conde, os Cursilhos chegaram pela mão do Sr. Prior, Pe. Porfírio Alves, no ano de 1964, até à sua morte. Continuando com o Sr. Prior Pe. Adriano Teixeira, até ao ano de 1978. Tendo de seguida, sofrido um interregno de cerca de 32 anos.
E foi no dia 6 de Dezembro de 2009, com 6 Cursilhistas, hoje, com cerca de vinte e cinco Cursilhistas, que, se realizou a reabertura do Centro de Ultreia de Vila do Conde, com a colaboração do Sr. Prior, Pe. Domingos Lopes, do Director Espíritual do MCC de Braga, Sr. Pe. José Neves Machado.
           
Apostolo Paulo, patrono dos Cursilhos de Cristandade

No dia 14 de Dezembro de 1963, num breve pontifício, ainda no primeiro ano do seu Pontificado, o Papa Paulo VI, declarou o Apóstolo São Paulo patrono celestial dos Cursilhos de Cristandade, “com todas as honras e privilégios litúrgicos devidos a tal título”.
A 8 de Dezembro de 1965 encerrou o Concílio Vaticano II, que veio dar um importantíssimo impulso ao programa do Cursilho, especialmente através da “Lmen Gentium” e da “Gaudiun et Spes”, que definiriam e particularizaram o lugar e a missão do leigo na Igreja. E a 28 de Maio de 1966 realizou-se a I Ultreia Mundial, em Roma, onde o Papa Paulo VI, numa alocução a todos os títulos inesquecível, consagrou ao mundo o programa dos Cursilhos de Cristandade, considerando-os como “palavra acrisolada na experiência, acreditada em seus frutos, que hoje percorre com carta de cidadania os caminhos do mundo”.

 

Ideias Fundamentais, o livro guia do Movimento

Em 1972. No III Encontro Mundial em Maiorca, apesar de se constatar a maturidade dos Cursilhos a nível mundial, foi sentida a necessidade de uma publicação que servisse simultaneamente de guia metodológico e defensor das “fontes originais”, para todos os dirigentes do mundo, que se veio a chamar de Ideias Fundamentais.
Hoje, passados mais de sessenta anos da data do primeiro Cursilho em Maiorca, os Cursilhos de Cristandade fazem-se em mais de 50 países dos cinco continentes, beneficiando das graças do Espírito, milhões de homens e mulheres de diversas línguas e raças. Estão organizados em mais de 600 Secretariados Diocesanos.
Com o fim de se ir atualizando, como resposta aos sinais dos tempos, o Movimento dos Cursilhos de Cristandade, até á data, organizou cinco encontros mundiais, quatro latino-americanos e inúmeros regionais, nacionais e diocesanos.

A história do Movimento dos Cursilhos de Cristandade igualmente conta com a realização de 3 Ultreias Mundiais: a primeira em Roma, em 1966, já citada, com a presença de S. Santidade o papa Paulo VI; a segunda na cidade do México, em 1970; e recentemente, a terceira novamente em Roma, em Julho de 2000, integrada nas celebrações do Jubileu, com a presença de S. Santidade o Papa João Paulo II realçando na sua mensagem que após a experiência da verdadeira felicidade pelo encontro com Cristo, “os Cursilhistas aprendem a considerar com olhos novos as pessoas e a natureza, os acontecimentos diários e a vida em geral”.