É consensual que a capela de Santo Amaro não existia no início do século XV, uma vez que não fora mencionada no Tombo Verde do Mosteiro de Santa Clara. Refere, porém, Cunha Freitas em “Vila do Conde – História e Património”, que o Tombo Novo (1629) já fazia alusão a esta edificação religiosa na passagem que se refere à «…rua da Costa, abaixo de Santo Amaro…». Monteiro dos Santos afirma que as atas da Câmara, em 1571, já referiam moradores junto à capela de Santo Amaro, pelo que podemos, localizar, seguramente, a construção no terceiro quartel século XV. O Dr. Pacheco Neves em “Vila do Conde” pressupunha que a edificação estaria sobre uma marca ou torre de vigia em ruínas, que servia de vigilância contra a pirataria mourisca e normanda. Vários autores concordam que a ereção deste edifício religioso está relacionado com os Pinheiros, comendatários do Mosteiro de S. Simão da Junqueira, e Marta Miranda, na sua obra “Vila do Conde” chega mesmo a apontar que a capela foi mandada erigir por votos de Martim Pinheiro e família Pinheiro de Barcelos.

De facto, as Memórias Paroquiais de 1721, do Prior Luís da Silva, constatam a semelhança dos símbolos heráldicos em S. Simão da Junqueira e em Santo Amaro: ambos pertencem à família Pinheiro. Esta família era bastante influente na Corte no século XVI. Entre os seus membros contam-se um bispo do Funchal, um bispo do Porto, e um capelão do cardeal-Rei D. Henrique. Relativamente à arquitetura ela é, exteriormente pobre, orientando-se no sentido oeste/leste. Na fachada poente, fica o pórtico principal, com abertura superior. A abertura tem um vitral representando Santo Amaro e é obra deste século. O interior possui uma só nave e capela-mor. Cunha Freitas refere o Epítome Topográfico da autoria do Prior Francisco de Lima Azevedo Camelo Falcão, de 1758, que descreve “A capela de Santo Amaro, situada em um alto, na colina onde se descobrem grandes espaços da Vila, hortas e ruas e se venera a imagem do mesmo Santo, com dois altares colaterais de Nossa Senhora do Amparo à parte do norte, e Santo António, da parte do Sul. Tem confraria e é capela do povo.” Relativamente à ordenação do espaço litúrgico, o Livro de Visitações da Paróquia de S. João Baptista de Vila do Conde, tem, na visita de Teotónio de Alpoim Lobato, Reitor do Salvador de Mazedo, efetuada em 13 de Junho de 1795, um capítulo dedicado à capela de Santo Amaro: “Na capela de Santo Amaro, se acha colocada uma imagem de N. Srª. Logo m cima do mesmo Santo, e como o altar não tem capacidade para estarem ambas as imagens, o Rdo. Pároco fará colocar a imagem da Senhora em um dos altares colaterais da mesma capela.” Importante era o terreiro da capela, onde, por Alvará de 5 de Setembro de 1704, de D. Pedro II, se instituiu uma feira franca. Os negociantes de gado pagavam 200 reis à Confraria. Os demais 100 reis. Esta feira franca está na origem da feira semanal de Vila do Conde. Ainda hoje muitos devotos, sobretudo com doenças ósseas demandam a capela para pedir a intercessão de Santo Amaro.

Festas: Santo Amaro, 15 de Janeiro; S. Sebastião, 20 de Janeiro; Acesso: a capela mantém-se fechada durante o ano, a confraria possui a chave.